Demência Fronto Temporal



Uma mulher de 57 anos começa a apresentar há cerca de 2 meses alteração de personalidade que levaram a situações embaraçosas para a família. por exemplo, frequentemente, recusa alimentos que os filhos lhe oferecem alegando estar envenenados com intuito de assassina-la com intenção de receberem a herança. Também não raramente, levantava falsa suspeitas e se exaltava diante da imaginaria infidelidade do marido a cada mulher que o mesmo cumprimentava socialmente, chegando inclusive a acusá-lo de ter filhos fora do casamento. Chegou a se indispor várias vezes com vizinhos e algumas situações por pouco não se tornaram caso de polícia. 


Quando inquirido, o marido considerada que já há mais de um ano a paciente já vinha apresentando comportamento diferente. Segundo ele, a paciente sem foi uma mulher muito educada e introvertida, falava baixo. No último ano passou a falar em volume mais alto, interromper o interlocutor durante a conversa, utilizar linguagem chula e passou a ser invasiva, bombardeando sistematicamente pessoas sem intimidade com perguntas sobre a vida pessoal delas, algo que antes jamais faria. À mesa, sempre respeitou muito bem todas as normas de etiqueta, mas nos últimos meses passou não apenas a ignora-las, mas também a ser grosseira, servindo-se com as mãos por exemplo. Sempre vestiu-se de maneira elegante, mas ao longo dos meses passou gradativamente a desleixar-se com a combinação e estilo das roupas. A memória, por outro lado, parecia permanecer intacta. 

 
O exame de ressonância magnética mostra atrofia fronto-temporal bilateral simétrica.


Os sintomas iniciais mais comuns da demência fronto temporal (DFT) incluem alteração progressiva da personalidade, comprometendo o relacionamento social, dificuldade com a linguagem comprometendo a comunicação, desinibição e impulsividade. 










Dr. Gustavo Protti é professor e neurologista em Higienópolis, São Paulo, com mais de 20 anos de experiência em Neurologia Clínica. Atua na avaliação e acompanhamento de condições neurológicas como AVC (Acidente Vascular Cerebral), perda de memória, demências, enxaqueca e outros tipos de cefaleia, tontura, distúrbios do sono e epilepsia, entre outras. Atende presencialmente na Clínica Protti, em Higienópolis (região central de São Paulo), e realiza teleconsulta em Neurologia (online) quando clinicamente indicado. Além do consultório particular, atua no serviço de emergências do hospital e na faculdade de medicina da Santa Casa de São Paulo. Como professor, defendeu mestrado, publicou artigos científicos, escreveu capítulos de livros, participou de estudos clínicos e contribui para a formação dos futuros médicos e dos residentes da Neurologia. Acredita que informação de qualidade é parte fundamental do cuidado em saúde cerebral.


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