Toxicidade do metanol no cérebro alerta para os risco das Bebidas Falsificadas
O Brasil enfrentou recentemente um preocupante registro de casos de intoxicação por metanol, amplamente divulgado na mídia por causa da associação com a falsificação de bebidas alcoólicas.
Diferente do álcool comum, encontrado nas bebidas regulamentadas, o metanol é um álcool industrial extremamente tóxico. Se ingerido causa graves lesões neurológicas irreversíveis e até a morte.
O grande perigo das bebidas falsificadas é que cheiro, cor e sabor do metanol são muito semelhantes aos do etanol, tornando-o impossível de ser percebido pelo consumidor.
No cérebro, o metanol acomete seletivamente regiões específicas:
1. O Nervo óptico: local clássico da intoxicação por metanol, causa alteração da visão que começa com turvação tipo “tempestade de neve" e pode progredir até cegueira irreversível.
2. Putâmen, na região dos núcleos da base: responsável pelo controle motor, quando acometida causa sintomas semelhantes ao Mal de Parkinson, como tremores e rigidez.
3. Edema cerebral: é o inchaço agudo e generalizado do cérebro que pode levar à crise convulsiva, coma e morte.
Fica o alerta: não confundir com ressaca!
Os sintomas iniciais mais comuns da intoxicação por metanol são:
• Dor de cabeça forte e persistente;
• Náuseas e vômitos;
• Tontura;
• Confusão mental;
• Sensibilidade excessiva à luz ou turvação visual já de início.
Estes sintomas costumam aparecer entre 12 a 24 horas após o consumo, no caso, da bebida falsificada. Por isso, muitos pacientes confundem com ressaca e demoram para procurar atendimento médico.
Prevenção:
A única maneira de prevenir as complicações causadas pelo metanol é evitar o consumo de bebidas de procedência duvidosa, com preços excessivamente abaixo do mercado ou com lacres e rótulos suspeitos.
Casos de suspeita de intoxicação por metanol devem ser imediatamente avaliados como urgência médica. Tempo é fator determinante no prognóstico. Existe antídoto para neutralizar o metanol ingerido mas não existe medicação capaz de reverter as lesões já instaladas.
Referências bibliográficas:
(clique para acessar)
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| Nekoukar Z, et al. Methanol poisoning as a new world challenge: A review. Ann Med Surg (Lond). 2021;66:102445. |
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| Paliwal VK, et al. Haemorrhagic putaminal necrosis, optic atrophy and coma: a triad suggestive of methanol poisoning. Anaesth Intensive Care. 2016;44(5):636-7. |
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